Princípios para construir produtos focados na experiência do usuário e o que você deve saber para lutar por isso

Durante o ano de 2018 trabalhei num time um pouco diferente. Não era um time melhor ou pior do que qualquer outro time do produto, não é nada disso. Acredito que o time era e continua sendo um pouco “diferente” porque funciona quase como uma startup dentro da startup. Inclusive usamos o antigo nome dado ao produto nos primórdios da RD no canal do Slack: Sistemarketing.

Além disso há uma clareza muito grande do seu real propósito: liderar o crescimento da empresa através do produto. Existe um senso de progressão muito claro e um grande sentimento de produtividade entre os membros do time.

Esta clareza fez com que desenvolvessemos princípios que hoje orientam a tomada de decisão. Talvez alguns não sejam princípios novos, outros foram totalmente adaptados para nossa realidade. Tudo começa com o playbook de Product-Led Growth, onde o produto lidera o crescimento exponencial, escalável e de forma sustentável.

Mas na prática o que acreditamos é na melhor experiência para o usuário: faça o que é melhor para seu usuário que o crescimento será uma consequência.

Esse manifesto é valido para qualquer time que deseja realizar entregas focadas no usuário e criar uma cultura de transparência entre os membros, seja PLG ou não.


1. O cliente não pode pagar por uma ineficiência do produto

Não toleramos erros e ineficiências que penalizam o nosso cliente. O produto deve ser self-service e atender o cliente em todos os requisitos, sempre gerando a melhor experiência possível. Ninguém aqui vai facilitar a vida dos designers, desenvolvedores, gerentes de produto, nem ninguém. Deve ser fácil pro cliente usar, mesmo que seja mais difícil pra implementar.

2. Obsessão pelo usuário

Nós valorizamos muito a experiência do usuário e fazemos melhorias no nosso produto com base em feedback de usuários reais. Para nós cada usuário é único e ele merece toda a atenção e o devido respeito. Nenhuma dor pode ser ignorada. Todos no time se envolvem em feedback de usuários e todos no time participam do maior número de entrevistas e testes com usuários. Esses feedbacks não viram backlog: eles se transformam em melhorias rápidas no produto através de um processo de evolução contínuo.

3. O protocolo não pode ser maior que a utilidade

Não podemos entrar em modo piloto automáticoA cerimônias devem ser adequadas a sua utilidade, servir ao real propósito aos quais elas foram concebidas. Se algo não está ajudando ou não está tornando nosso trabalho mais eficiente, despriorizamos. Aplica-se em todas as cerimônias, que devem ser questionadas sobre sua real utilidade. Existe uma cadência, um sentimento de progressão muito grande, mas também há a flexibilidade necessária para remanejar ou ajustar uma cerimônia de acordo com os contextos e entregas.

4. Ultra lean

Ter uma forma de pensar extremamente enxuta e realmente voltada para resultados. Priorizamos e fazemos o uso inteligente do nosso tempo. Isso significa que nenhuma entrega poderá ser sacrificada com a desculpa de que não houve um planejamento adequado. Devemos analisar quanto tempo temos disponível e o que será possível entregar até a data com a qual nos comprometemos com a entrega do time.A gente tem que expor rápido para os clientes e pegar feedback. Mas não necessariamente o que estamos fazendo deve ser lançado rápido pro mercado, sacrificando a experiência.

5. Extreme ownership

Cada indivíduo no time sabe que é uma peça fundamental para a entrega do todo e todos são responsáveis pelas entregas nas quais estão comprometidos. Não toleramos desculpinha. Não toleramos terceirização do problema. Não aceitamos que “não deu pra fazer” como resposta. É o poder de tomada de decisão. Todos são responsáveis e todos estão trabalhando em prol de um único objetivo. A maturidade faz parte do processo e é necessária para que todos estejam comprometidos com o time.

6. Transparência total

Para que todos estejam comprometidos é preciso ter transparência total. A gente diz “na lata” o que precisa ser dito e não fica dando voltas. A gente não faz feedback 360º, nem team building, nem amigo secreto. Porque essas coisas acontecem naturalmente na nossa rotina. As pessoas precisam dizer o que precisa ser dito, no momento adequado e com o devido contexto. Ninguém pode se sentir ofendido por um questionamento ou por algum feedback. O que precisa ser dito, será dito, inclusive usaremos o termo adequado quando necessário. Da mesma forma, defenderemos com todas as nossas forças qualquer membro do time que precisar de ajuda.